Ficha de Leitura nº3
Ficha de Leitura nº3
Reflexão sobre o capítulo “ A construção de projectos de Intervenção “ (p.163-174)
Referência Bibliográfica: Guerra, Isabel Carvalho (2002). Fundamentos e processos de uma sociologia da acção: o planeamento em Ciências Sociais.2ª ed. Cascais: Principia
Palavras-Chave:
-Planeamentos
- Objectivos
- Estratégia
- Intervenção
- Plano de acção
Resumo/ Reflexão
Ao longo desta ficha de leitura, irei abordar a segunda fase existente, num projecto de intervenção, a que se dá o nome de planeamento. Esta fase, depende bastante no seu conjunto, da fase anterior, ou seja, do diagnóstico.
Primeiramente, na fase do planeamento, é bastante importante definir objectivos, objectivos esses, onde a sua negociação passa pela capacidade de manter um alto nível de motivação dos actores e de vir a medir os resultados da intervenção. Dentro deles, é necessário distinguir três componentes: 1) as finalidades; 2) os objectivos gerais; e 3) os objectivos específicos.
As finalidades, pretende-se que indiquem a razão de ser de um projecto e a contribuição que o mesmo pode trazer aos problemas de uma determinada Instituição e as situações que são vistas como necessárias de transformação.
Os objectivos gerais, descrevem de forma geral as orientações para a acção e são concordantes com as finalidades do projecto, de uma forma geral descrevem em largos traços as linhas de trabalho a seguir. Devido a isso, são globalizantes e normalmente não datados nem generalizados, mas explicam as intenções para cada um dos actores incluídos no público-alvo do projecto.
Por objectivos específicos, entende-se os objectivos que exprimem os resultados que se pretende atingir, basicamente, são a operacionalização dos objectivos gerais. Estes objectivos, tendem a ser usados normalmente para a avaliação sumativa final, por isso pretende-se que sejam sempre elaborados com clareza e para isso é necessário ter-se em conta quatro características: 1) Não conterem ambiguidades e serem claros; 2) Serem precisos; 3) Serem quantificados sempre que possível 3 4) Podem ser qualitativos e quantitativos.
Com esta distinção, consegui perceber as diferenças nos três conceitos, percebendo assim que as finalidades foram concretamente definidas de forma a mostrar o que o projecto pretende abarcar, enquanto os objectivos são formulados com base na acção que se pretende criar, podendo ser mais gerais baseados na dimensão ou mais específicos referindo-se à acção.
Tendo isto em conta, os objectivos são frutos de uma negociação intensa e permanente ao nível da população implicada, dos decisores e dos técnicos. Assim, para serem coerentes devem obedecer a duas condições: 1) decorrer das problemáticas encontradas no diagnóstico e 2) serem realistas.
Após definir os objectivos, é necessário tentar encontrar formas de os conseguir atingir, sendo para isso necessário elaborar/planear as estratégias de intervenção. O apelo a este planeamento da estratégia, baseia-se numa preocupação quanto aos processos e não aos conteúdos. Por isso, espera-se que o planeamento seja um processo concertado de intervenção que, face a objectivos negociados, construa sucessivamente de um modo de fazer, fazendo.
Num projecto, a estratégia é um processo que pretende ver vencida a dificuldade, utilizando os recursos existentes, ou seja, maximizam as potencialidades e reduzem as finalidades. E pode dividir-se em duas categorias: estratégias globais e estratégias operacionais. As globais são as do projecto e as operacionais são relativas às dimensões do projecto. Na elaboração destas estratégias, existem oito fases: 1) Estabelecimento dos critérios de concepção das estratégias; 2) Enumeração das modificações necessárias; 3)Esboço das estratégias potenciais; 4) Escolha das mais realizáveis; 5) Descrição detalhada das estratégias escolhidas; 6) Estimativa dos custos das estratégias; 7) Avaliação da adequação dos recursos futuros e 8) Revisão das estratégias e dos objectivos.
O último ponto, de que irei falar nesta ficha de leitura é o plano de acção, onde se pretende descrever o plano de actividades, onde se encontram o que há para fazer e as tarefas e os recursos necessários para o fazer. Este plano é organizado, tendo em conta que se deve situar em torno de cinco questões: o porquê é que isto deve ser feito? ; O que deve ser feito?; Onde deve ser feito?; Quando deve ser feito? ; Como deve ser feito?. E nele devem estar incluídos, uma série de tarefas, entre as quais se destacam: o inventário do campo de possibilidades e de impossibilidades; o inventário dos meios de acção; a definição de prioridades e sequências de acção; o estabelecimento de cenários; a escolha de métodos e meios e a definição das responsabilidades de cada uma das formas de organização. Relativamente a esta ideia, consegui perceber que um plano de actividades é uma forma de organização pois nele não se encontram incluídos apenas as actividades que se irá desenvolver, mas sim os momentos e componentes de todo o projecto. Sendo necessário, devido a esta mistura de componentes, faze-lo com a interferência de todos os intervenientes, desde os decisores ao público-alvo, não esquecendo os técnicos. Para que numa fase posterior se consiga perceber que o projecto vai ao encontro das necessidades e das intenções de todos.
Mas também é importante referir, que o plano de acção não se limita a uma sequência organizada de tarefas, devendo ele indicar e seleccionar não só as actividades, mas sim ver se são prioritárias e determinantes.
Como se encontra referido no texto, o plano de acção pode ter várias componentes, modificando essas componentes conforme a complexidade do projecto. Podendo, mesmo assim referir-se as principais componentes: 1) Identificação do programa; 2) Definição da actividade; 3) Definição das tarefas que decorrem desta acção; 4) Definição dos responsáveis pela concretização dessas acções e tarefas; 5) Recursos necessários e 6)calendário.
Concluindo, pode afirmar-se que um plano de acção não é apenas uma enumeração de tarefas, mas sim a totalidade das actividades levadas a cabo num projecto, estando nele inseridos o plano de actividades, o plano de avaliação e o plano de pesquisa-acção.
Agora, mais num jeito de reflexão é importante referir que como estudante de 3ºano da licenciatura em Ciências da Educação, nunca tinha sido informada desta componente do planeamento. Planeamento que nos meus grupos de trabalho apenas era feito em concordância entre os elementos, mas não tinha nenhuma preocupação com as componentes que integram o planeamento referidas anteriormente, e porquê? Porque raramente pensamos que um projecto necessita de tantos passos, para que no final vá ao encontro do que desejámos. No semestre passado foi a primeira vez que trabalhamos a metodologia de projecto, mas a meu ver foi de uma forma bastante superficial, porque o meu trabalho encontrava-se estruturado de forma concordante com o projecto, mas não preenchia todos os tópicos aqui referidos, como por exemplo a elaboração de um plano de acção ou de uma diferenciação nos objectivos e finalidades.
Portanto a partir de agora, existem pontos aos quais vou dar bastante importância, sendo eles a definição de objectivos e a elaboração de um plano de acção. Primeiro, a definição de objectivos porque julgo ser bastante importante decidir previamente todos os pontos que se pretende abordar e intervir num projecto. E em segundo lugar, o plano de acção porque é importante ir acompanhando os acontecimentos por meio de um plano, favorecendo assim a ligação entre as actividades e as tarefas que foram e que tem de ser efectuadas posteriormente.