Cyberbullying

 

Em primeiro lugar, é importante referir que a ideia desta reflexão partiu da pesquisa com a minha colega de trabalho sobre o cyberbullying , temática esta a apresentar e avaliar quanto à sua estrutura no âmbito dos relatórios de estágio ou dissertações. Assim sendo, e partindo das leituras e análise por efectuadas, verificámos as seguintes informações:

O cyberbullying é um fenómeno actual que pode conduzir a repercussões negativas ou irreversíveis para os que nela se encontram envolvidos, devido ao seu impacto de curto ou longo prazo e de nível emocional, psicológico ou social. Sintomas como o sofrimento/pressão mental devido à influência social e pelo mau recurso às tecnologias e redes sociais, pode levar à redução da autoconfiança do indivíduo. Assim sendo, é caracterizado por uma agressão intencional, contínua e proveniente da via virtual.

A sua manifestação coloca em destaque algumas limitações que lhe são específicas, nomeadamente a questão do anonimato, que na perspectiva de Sharrif (2011, citado em Sousa, 2011:46) aumenta os desafios para a escola, enquanto espaço de aprendizagem e construção de laços sociais.

Quando o cyberbullying sucede em contexto escolar, torna-se essencial tomar conhecimento sobre as perspectivas dos alunos sobre este mesmo fenómeno e os seus respectivos processos de socialização, a fim de tentar identificar a dimensão do fenómeno neste contexto e igualmente perceber como os alunos pedem ajuda para enfrentar o problema caso estejam envolvidos.

Através das conclusões obtidas no estudo de Sousa(2011), sobre esta temática,a prática de cyberbullying é mais frequente na transição escolar, nomeadamente na passagem do Ensino Básico para o Ensino Secundário e no 1º ano do Ensino Superior(ainda que de um modo bastante reduzido em comparação com o período de transição escolar anteriormente referido). O computador com acesso à internet apresenta-se como a tecnologia mais utilizada pelos estudantes, devido ao acesso às redes sociais, e seguidamente os telemóveis.

Para os alunos que incorporam o estudo da autora, o cyberbullying foi considerado uma prática inadequada das tecnologias e redes sociais (…) Um acto cruel (…) irresponsável ou (…) de brincadeira, e (…) de difícil intervenção. Ainda no teor desta análise, os alunos revelaram que há uma grande necessidade de se divulgar um maior número de informação referente ao fenómeno, quer da parte dos próprios alunos, professores e Encarregados de Educação. Quanto aos factores que provocam este fenómeno, os alunos apontam a possibilidade de surgir da família, da educação, da sociedade, da necessidade controlo, de aceitação e auto-afirmação do agressor.

No âmbito das estratégias de combate, enfrentamento e prevenção do cyberbullying ,para Castilho (2010, citado por Sousa,2011:49) estas estratégias são (…) o manejo de esforços cognitivos e comportamentais.

Para as vítimas:

· Offline: Fazer-se frente pelo contacto das autoridades policiais ou no pedido de ajuda a alguém de confiança

· Online: Restringir ou encerrar contactos ou excluir os agressores das redes sociais ou contactar os gestores do site ou rede social

Pelos colegas:

· Direccionadas ao agressor: apoio à vitíma( disponibilizar ajuda, apoiar, contactar autoridades policiais, evitar comentar sobre o facto e não incentivar o comportamento)

Pelos professores

· Intervenções: Alertar perigos das tecnologias, realizar acções sobre o cyberbullying,observar o comportamento dos alunos, dialogar e interagir, prestar apoio à vitíma, contactar os Encarregados de Educação .Contudo esta intervenção ainda é limitada ou mesmo inexistente por parte de alguns professores, sendo por isso um desafio a que se deve dar resposta. Na perspectiva de Castilho (2010,citado por Sousa,2011:50) esta ausência ou reduzida intervenção dos docentes deve-se ao facto (…) de não perceberem a ocorrência do fenómeno, ou (…) não considerarem o problema como algo que necessite de intervenção.

Pelos Encarregados de Educação:

· Alertar perigos, controlar o uso das tecnologias, fazer-se presente na vida dos educandos, dialogar e interagir com os educandos para igualmente reduzir comportamentos anti-sociais ou isolamento.

No que diz respeito ao contexto de Portugal, a acessibilidade e uso das TIC foi alvo de importantes desenvolvimentos.Do estudo da SurveyShack (Microsoft, 2009) fica evidente que os utilizadores portugueses estão entre os mais preocupados com a segurança. Assim sendo, o problema do Cyberbullying tem vindo a alarmar, em Portugal, pais, políticos, professores e agentes da autoridade. No entanto, ainda apenas um escasso número de estudos se refere a este problema em específico, tornando-se difícil analisar a situação no país.

Torna-se então necessário uma extensa pesquisa, capaz de caracterizar o fenómeno em Portugal e de modelar a construção ou melhoria dos modelos de interpretação e exposição para que possam vir a ter um impacto real na prevenção do bullying e do cyberbullying entre as crianças e os jovens em idade escolar. Considera-se também urgente saber quais as necessidades em termos de conhecimento e estratégias de intervenção.

Em Portugal os esforços do governo têm-se concentrado especialmente na problemática da segurança online e não específicamente no cyberbullying. Entre outras iniciativas, é de realçar o desenvolvimento do projeto Dadus pela Comissão Nacional para a Proteção de Dados, sob um protocolo assinado em 2007 com o Ministério da Educação. Este projeto tem como intuito chamar à atenção dos estudantes às questões da protecção de dados e da privacidade e promover um uso consciente das novas tecnologias. No que concerne às iniciativas oficiais, menciona-se a Polícia Judiciária, integrada no Ministério da Justiça, que aconselha e fornece informações acerca dos riscos da Internet e do que deve ser feito para prevenir e lidar com este tipo de problemas.Mesmo no contexto do Plano Tecnológico para a Educação, as antigas Direcções Regionais de Educação celebraram com a Policia Judiciária protocolos para o desenvolvimento de esforços que visam prevenir o crime cibernautico contra crianças e jovens. Algumas associações não-governamentais e outras iniciativas individuais têm vindo a difundir informação acerca do tema nas escolas.

Em Portugal ainda não há legislação sobre o cyberbullying. No entanto, o Código Criminal abrange crimes cometidos através de sistemas informáticos tais como a humilhação, ameaça ou coacção através das tecnologias de informação.

Segundo Price e Dalgleish (2010, citado por Sousa, 2011:48) “ (…)à medida que a utilização das tecnologias de comunicação cresce, especialmente entre os jovens, é necessário considerar os riscos do cyberbullying, o aumento da sua frequência, bem como a gravidade dos actos de retaliação” ,ou seja, sempre que o recurso ao TIC aumenta, é necessário ter em atenção os riscos de eminência desta prática e o impacto que poderá provocar nos utilizadores, bem como é indispensável compreender a complexidade das condicionantes envolvidas na violência nas escolas e ouvir os membros da comunidade educativa porque poderão fornecer informações úteis. É importante consciencializar os públicos-alvos, anteriormente mencionados, sobre este fenómeno, como por exemplo através de criação de investigações sobre estratégias ou por intervenções que viabilizem uma acção educativa ou ainda pela construção ou adaptação de modelos de interpretação e explicação que tenham a possibilidade de suscitar impacto .

 

Referências bibliográficas

· Amado, J.; Matos, A. & Pessoa, T. (2010).Cyberbullying: The situation in Portugal. In. Joaquín A.; Merchán, M. & Jager, T. (2010). Cyberbullying: A Cross-national comparision.Landau: Verlag Empirische Pedagogik. Pp.131-142

· Sousa, B.S. (2011). Considerações Finais. In : Sousa, B.S. (2011).Cyberbullying:estudo exploratório sobre as perspectivas acerca do fenómeno e das estratégias de enfrentamento com jovens universitários portugueses. Ciclo de Estudos Conducentes ao Grau de Mestre em Psicologia - Secção de Psicologia da Educação e Orientação. Lisboa: Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa. pp. 46 - 53

Sousa, B.S. (2011). Cyberbullying, novos desafios no contexto educativo. In: Sousa, B.S. (2011).Cyberbullying: estudo exploratório sobre as perspectivas acerca do fenómeno e das estratégias de enfrentamento com jovens universitários portugueses. Ciclo de Estudos Conducentes ao Grau de Mestre em Psicologia - Secção de Psicologia da Educação e Orientação. Lisboa: Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa. pp.06-20